FÉ SEM FRONTEIRAS
INTRODUÇÃO.
Muitas vezes, a palavra "evangelismo" nos remete a
imagens de grandes cruzadas com famosos pregadores ou complexos discursos
religiosos feitos por renomados teólogos. No entanto, o cerne da tarefa deixada
por Jesus Cristo aos Seus apóstolos é o ato de testemunhar, o que é feito por
uma testemunha. Ser uma
testemunha não exige erudição verbal e um palco; exige uma pessoa que aponte
para Jesus Cristo, como a Verdade, o Caminho e a Vida.
Nesta abordagem, exploraremos como a missão de compartilhar as Boas Notícias sobreviveu a séculos de barreiras — desde preconceitos antigos até o relativismo moderno. Você descobrirá que evangelizar de forma descontraída é, na verdade, permitir que sua fé transborde em conversas sinceras, no apoio a um amigo e na integridade do seu caráter – tomando um café, dando um sorriso e expondo a mensagem. Tudo a partir de uma experiência vivida por você mesmo, razão pela qual você se torna uma testemunha de algo que ocorreu em seu existir. Prepare-se para entender os motivos pelos quais essa tarefa é, ao mesmo tempo, um desafio histórico e uma aventura pessoal para cada geração.
1. O Muro do "Eu Sou Melhor": Vencendo o Preconceito Étnico.
A jornada da evangelização começou com um obstáculo
religioso inesperado: o preconceito dos judeus para com as pessoas dos outros
povos. Os primeiros discípulos judeus hesitaram em levar a mensagem aos
gentios, acreditando que a salvação era um privilégio reservado apenas ao seu
próprio povo. Nunca foram capazes de levar a experiência com Deus aos outros
povos, mesmo que esse ensino tivesse sido ministrado desde Abraão. Ao
prevalecer a atitude de não se misturarem, esqueceram as palavras ditas a
Abrão: “Em ti serão benditas todas as
famílias da terra”.
O Obstáculo Histórico: O preconceito étnico tentou
cercar o Evangelho dentro de fronteiras culturais e raciais. Para que a
mensagem avançasse, foi necessário entender que Deus não faz acepção de
pessoas. A igreja primitiva precisou aprender que o amor de Cristo é a força
mais inclusiva que existe, capaz de derrubar qualquer barreira de "nós contra eles", a partir do
exemplo de Jesus com várias pessoas que não faziam parte do povo judeu em seus
dias.
O preconceito moderno pode ser mais sutil. Ele aparece quando julgamos que alguém "não tem o perfil" para a fé. Evangelizar sem fronteiras começa com a limpeza dos nossos próprios olhos, vendo em cada pessoa alguém por quem Cristo Se entregou. O não fazer acepção inclui não estabelecer fronteiras pela cor da pele, pela posição social, pelo status financeiro, pelo gênero, pela atividade profissional, pela formação cultural e assim por diante.
2. Fé Sob Fogo Cruzado: A Era da Perseguição, Prisão e Morte.
Assim que os cristãos venceram seus preconceitos e começaram
a avançar, o mundo respondeu com resistência agressiva. O que antes era uma
barreira mental tornou-se uma ameaça à vida. Cristãos que evangelizavam
tornaram-se alvos de perseguição estatal e social, enfrentando prisões e até a
morte. Ainda nos dias dos apóstolos e nos anos seguintes, o que os esperavam
eram as fogueiras, os leões, as galeras, os gladiadores.
Em vez de recuarem, os crentes insistiram na evangelização. Eles descobriram que a verdade não pode ser encarcerada ou anulada pela morte; quanto mais tentavam silenciá-los, mais a mensagem ganhava força e credibilidade pelo sacrifício de quem a pregava. Os relatos históricos mostram que o número de conversões e batismos, assim como o número de igrejas cristãs se multiplicavam, superando as fronteiras geográficas. Os historiadores Robert Hastings Nichols e Pablo A. Deiros escreveram que entre o ano 100 e o reinado de Constantino, o progresso foi tal que se tornou a religião dominante na Ásia Menor, chegando a Itália e Espanha. Nos três primeiros séculos, alcançou 50% da população do império.
3. A Desculpa da "Fé Automática": O Desafio da Predestinação
Com o tempo, o inimigo da missão mudou de estratégia. Se a
força bruta não parou a igreja, o conforto intelectual tentou fazê-lo através
de interpretações teológicas passivas. Deus já havia escolhido os que seriam
salvos, razão pela qual não era necessário fazer evangelização pessoal para
convidar pessoas a se arrependerem de seus pecados e a crerem em Jesus Cristo.
Surgiu a teologia da predestinação calvinista interpretada de forma extrema ao ensinar que não era preciso evangelizar, pois Deus já teria escolhido os salvos por Si mesmo. Vários textos da Bíblia passaram a ser usados com essa interpretação. Mesmo que para Calvino a predestinação não anulasse a necessidade de evangelizar, a distorção do seu ensino criou um "sofá espiritual", onde muitos se sentaram para esperar Deus agir sozinho. Os salvos iriam para o céu mesmo que não tomassem essa decisão, através da evangelização. Contudo, os fiéis que mantiveram o fogo acesso compreenderam que Deus é soberano, mas Ele escolheu usar a instrumentalidade humana para realizar Sua obra. Os pecadores precisam ouvir a mensagem de Jesus Cristo para que possam se arrepender e exercer a fé.
4. O Labirinto do "Tanto Faz": Ecumenismo e Liberalismo Teológico
Quando os fiéis continuaram a evangelizar, apesar das
desculpas teológicas, novos impedimentos surgiram e desta vez focados na
diluição da verdade.
O ecumenismo propôs
que as igrejas deveriam se unir, a fim de que houvesse um só povo cristão, sem
nenhum tipo de divisão denominacional, pois essa teria sido a proposta de Jesus
Cristo ao pedir a Deus que “todos fossem
um com Ele”. Todos os cristãos deveriam estar sob a liderança do Papa e da
Igreja Católica, apesar de suas heresias doutrinárias, da idolatria dos santos,
de não terem a Bíblia como única regra de fé prática e de serem “cristãos
nominais”. A mensagem era para que não evangelizar “cristãos nominais”, pois já
estavam salvos pela Igreja Católica.
O liberalismo
teológico infiltrou-se na igreja, questionando os fundamentos da fé e
gerando um esfriamento na evangelização. O ensino do nascimento virginal de
Jesus Cristo, de sua ressurreição física, dos seus milagres realizados seria
interpretado simbolicamente, usando métodos científicos e históricos, com
rejeição de tudo o que não fosse racional para o ser humano contemporâneo.
Respeitar a religiosidade do próximo não significa concordar que todos os caminhos são iguais. A verdadeira unidade se baseia em crer unicamente em Jesus Cristo, acreditando também em sua vida e obra, conforme se encontram nas páginas do Novo Testamento com todos os milagres ali registrados, que devem ser divulgados.
5. O Desafio de Hoje: Respeito não é Silêncio no Mundo Plural
Chegamos à atualidade, onde o desafio é a ideia de que todas
as religiões são expressões equivalentes de Deus e devem ser restritas ao fórum
íntimo.
Propõe-se que todas as religiões devem ser respeitadas em
suas crenças como verdades paralelas, muitas vezes protegidas por leis que
desestimulam o testemunho público. Nesse objetivo, a formação dos professores
hodiernos nos Cursos de Ciências da Religião objetiva a pluralidade religiosa
em sala de aula. As diversas manifestações (história, rituais, símbolos,
cultura) devem ser estudadas pelas crianças nas escolas, a fim de que haja
respeito e diálogo na diversidade de crenças. O slogan é promover a convivência
religiosa numa sociedade plural, independentemente da existência de uma
verdade absoluta e do destino eterno das
pessoas.
O respeito às leis e à liberdade religiosa alheia é um dever
do crente, mas isso não anula o mandato divino de ser testemunha de Jesus
Cristo. O relativismo moderno tenta
transformar o Evangelho em apenas mais uma "opção", mas a tarefa
entregue por Cristo permanece absoluta. Ser uma testemunha descontraída no
século XXI significa saber dialogar em um mundo plural, sem perder a identidade
cristã, sem perder o interesse pela salvação eterna e sem deixar de cumprir a
tarefa de evangelizar pessoas. Você pode
ser gentil e respeitoso, sem jamais abrir mão da exclusividade da mensagem de
Jesus Cristo.
CONCLUSÃO
A história da evangelização é uma narrativa de fé que rompe
as fronteiras. Não faltaram — e não
faltarão — obstáculos no caminho daqueles que decidem obedecer a Cristo. Do
preconceito étnico ao relativismo teológico, da perseguição e morte ao
pluralismo de crenças, em cada era o inimigo tentou colocar ponto final na
missão de evangelizar.
No entanto, ao terminar a leitura deste texto, você pode ter
um novo começo quanto à tarefa de ser uma testemunha de Jesus Cristo. Esta
tarefa foi entregue a nós e deve ser cumprida por cada geração, incluindo a
sua.
Vá em frente. Derrube os muros, enfrente os desafios com
coragem, exerça uma fé sem fronteiras e compartilhe a esperança da vida com
Deus no presente e na eternidade, através de Jesus Cristo.
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