"PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS"
(Mateus 5.16)

quarta-feira

 

Hebreus 12.1-3

PERSEVERAR E NÃO DESANIMAR

Introdução

O significado natural da palavra perseverança quer dizer capacidade de continuar firme em um propósito, objetivo ou ação, mesmo diante de adversidades, dificuldades, impedimentos e problemas, sem desanimar. Pois esse é exatamente o significado da palavra original “πομονή” (hypomon), usada pelo autor da carta aos cristãos hebreus: “característica da pessoa que não se desvia de seu propósito e de sua lealdade à fé e piedade mesmo diante das maiores provações e sofrimentos”. Nessa carta, o autor nos aconselha a sempre perseverar e nunca desanimar.

Desenvolvimento

1. Entre os vários casos em que a perseverança se fez presente na vida de crentes durante o período do Velho Testamento, gostaria de destacar dois deles. Descrevendo as experiências de Ana e de Isaque, a Bíblia informa que ambos perseveram em oração diante da dificuldade de terem filhos. Uma tradução do relato sobre a atitude de Ana, diz que ela “perseverou tanto  em oração que chamou a atenção do sacerdote Eli” (I Samuel 1.12). A descrição da experiência de Isaque diz que ele “orou instantemente” por sua esposa até que o filho nasceu. À luz desses exemplos, podemos entender por que a perseverança aparece no Novo Testamento como recomendação associada à oração: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças” (Colossenses 4.2). Paulo ensinou isto depois de Jesus contou a parábola do juiz iniquo, quando disse que deveríamos orar sempre, sem desanimar (Lucas 18.1). O autor aos hebreus também usa essa mesma palavra original para dizer que é através da perseverança que alcançamos as promessas de Deus (Hebreus 10.36).

2. Outra associação feita no Novo Testamento à palavra perseverança diz respeito a não desistir por causa da influência do Diabo, das provações e tentações. Essa associação foi feita por Jesus Cristo ao contar a parábola do semeador. A certa altura, ele esclareceu a parábola: “E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo; e os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da provação se desviam; e a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição; e a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança” (Lucas 8.12-15). Por isso é que Jesus acrescentou que a nossa salvação está associada à perseverança: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo” (Mateus 24.13). Por isso, esclarecendo essa associação, em outro texto, o autor aos hebreus afirma que nós não somos daqueles que desistem (10.39). Crente que é crente não desiste: persevera. Isto foi endossado por Tiago: “Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam" (Tiago 1.12).

3. Assim como a Bíblia associa perseverança à oração e à salvação, também ela está associa a muitos outros aspectos da vida, quando as pessoas que alcançam resultados são aquelas que insistem em seus objetivos, propósitos, metas  e alvos. Num de seus ensinos, Jesus usou a figura do lavrador que plantava naquela época usando arado. Ele disse: “Quem lança mão do arado e olha para trás, não é apto para o reino de Deus” (Lucas 9.62). Em outras palavras, quem não sabe perseverar em aspectos da vida comum não saberá perseverar no reino de Deus. Pensem, por exemplo, na experiência de Thomas Edison. Ele inventou a luz elétrica depois de ter feito mil experiências.  Quando um repórter lhe, perguntou com escárnio o que ele achava de tantos fracassos, ele respondeu: “Não fracassei nenhuma vez. Inventei a lâmpada. Foi um processo de mil passos” (https://www.institutoliberal.org.br/blog/a-sabedoria-de-thomas-edison/). É preciso, portanto, perseverar em seus alvos, objetivos, propósitos e metas, para que alcance resultados.

Conclusão

Esteja absolutamente certo de que assim como tudo em sua vida será necessário ter perseverança, também na vida cristã a perseverança será imprescindível. Perseverar na fé, na leitura da Bíblia, na presença na igreja, na entrega dos dízimos e ofertas, no testemunho cristão, na santificação. Quando falhar ou pecar, arrepender-se e pedir perdão. Quando o sofrimento for intenso, experimentar a consolação de Deus. Enfim, perseverar sempre e nunca desanimar!


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INTERPRETAÇÃO FILOSÓFICA DA RELIGIOSIDADE

Introdução

A religiosidade acompanha a humanidade desde os tempos mais remotos. Estudos antropológicos demonstram que crenças, ritos e práticas religiosas estiveram presentes em diferentes povos e épocas, apesar de suas variadas formas de expressão. O elemento comum dessas manifestações é a referência ao sobrenatural. A Filosofia da Religião busca compreender racionalmente esse fenômeno, investigando tanto sua realidade quanto a possibilidade de conhecimento do objeto da fé, procurando estabelecer fundamentos racionais para a experiência religiosa.

 A Origem da Religiosidade

Entre as principais explicações para a origem da religião está a teoria evolucionista de Edward B. Tylor, segundo a qual a religiosidade teria evoluído do animismo e fetichismo para o politeísmo e, posteriormente, para o monoteísmo. Em oposição, alguns estudiosos defenderam a chamada Teoria da Degradação, que sustenta que a humanidade iniciou sua experiência religiosa com o monoteísmo e, ao longo do tempo, desviou-se para formas variadas de idolatria. Embora não exista consenso sobre sua origem histórica, a religiosidade tornou-se um fenômeno universal que exige reflexão filosófica.

Interpretações Filosóficas da Experiência Religiosa

Diversos filósofos procuraram explicar a experiência religiosa sob diferentes perspectivas. Robert Lowie associou sua origem ao temor humano diante do desconhecido e à percepção do sobrenatural. Herbert de Cherbury defendeu que Deus dotou o ser humano de uma faculdade natural capaz de reconhecer as verdades religiosas.

Tomás de Aquino fundamentou a experiência religiosa na razão, elaborando argumentos para demonstrar a existência de Deus. Em contraste, David Hume considerou a crença religiosa uma construção humana desenvolvida para enfrentar dificuldades da vida e promover a ordem social.

Immanuel Kant afirmou que Deus não pode ser objeto de experiência direta, sendo conhecido apenas por inferência racional. Hegel interpretou a religião como a tomada de consciência do Espírito Absoluto. Schleiermacher destacou o sentimento de dependência de Deus como fundamento da religiosidade.

Outros pensadores apresentaram abordagens críticas. Ludwig Feuerbach entendeu Deus como uma projeção idealizada dos desejos humanos. Karl Marx interpretou a religião como uma forma de aliviar o sofrimento causado pelas condições sociais. William James analisou a experiência religiosa como um fenômeno psicológico relacionado à personalidade.

Henri Bergson enfatizou a intuição e a experiência mística como caminhos para a vivência religiosa. Paul Tillich defendeu o método fenomenológico como o mais adequado para compreender a essência da religião. Richard Schaeffler, por sua vez, argumentou que a rejeição de Deus conduz o ser humano a uma crise de sentido e fundamentos morais.

 Apesar das diferenças entre essas interpretações, todas reconhecem a importância da experiência religiosa como fenômeno humano digno de investigação filosófica.


Conclusão

A experiência religiosa não deve ser aceita de forma acrítica, nem reduzida automaticamente a um fenômeno psicológico ou social. A Filosofia da Religião busca avaliar racionalmente tanto a experiência quanto os testemunhos daqueles que afirmam vivê-la.

Embora Deus não possa ser analisado como um objeto comum de investigação, a credibilidade da experiência religiosa pode ser considerada a partir da integridade, racionalidade e coerência daqueles que a testemunham. Além disso, a universalidade da busca humana por Deus sugere que essa necessidade possui relevância existencial profunda.

Por fim, a experiência religiosa envolve também o ato de fé. Quando crenças religiosas produzem transformações concretas e correspondem às expectativas e promessas nelas fundamentadas, fortalecem-se os argumentos em favor de sua legitimidade. Assim, razão e fé não precisam ser vistas como opostas, mas como dimensões complementares na compreensão da religiosidade humana.

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Referências Bibliográficas

 BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã. São Paulo: Vida Nova, 1983.

GEISLER, Norman; FEINBERG, Paul. Introdução à Filosofia. São Paulo: Vida Nova, 1983.

HUBY, José. História das Religiões. São Paulo: Saraiva, 1956.

TILLICH, Paul. Filosofia de la Religión. Buenos Aires: Megapolis, 1973.

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