Introdução
Inegavelmente a atitude de celebrar o
início de um novo ano faz parte das mais antigas tradições dos povos,
independente da data estabelecida. Uma
dessas antigas tradições vem da Mesopotâmia, aludindo a uma festa chamada de
Festival de Ano Novo. Tal celebração também foi encontrada entre persas,
fenícios, assírios, gregos e romanos, bem antes de fazer parte da cultura
cristã. Na China, por exemplo, a celebração pode ocorrer entre janeiro e fevereiro
e dura até 15 dias. Em Israel, o Novo ano ocorre entre os meses de setembro e
outubro. No calendário mulçumano, ocorre no mês de março. A data de primeiro de
janeiro vem do império romano, quando foi estabelecido o calendário por Júlio
César, no ano 46 AC. Essa data foi adotada pelo calendário gregoriano, o
calendário que está em vigor em muitos países.
1. Significados
É evidente que o significado literal é
tão somente a mudança da data cronológica que marca o fim de um ano e o inicio
do outro, encerrando os ciclos de 12 meses.
Todavia, muitos entendem que não se pode perder de vista o significado
simbólico da data, associado à oportunidade de renovação e recomeço, avaliação
e balanço do passado, projetos e planos futuros, expectativas otimistas e
positivas de melhoras em áreas da vida, convite para recorrer a prática de
rituais religiosos que possam influenciar os acontecimentos.
2. Escatologia
Se o fim
de todas as coisas neste mundo tem uma data marcada, inclusive associada à
volta de Jesus Cristo, de acordo com a doutrina cristã, é inevitável não se
levantar a hipótese de que, também, muitas pessoas, talvez, façam celebração do
ano novo motivadas pelo fato de que mais um ano passou e nada aconteceu, em
termos dramáticos, catastróficos e condenatórios. Embora a celebração seja
anterior ao surgimento da doutrina cristã da escatologia e estivesse associada
a outras motivações culturais, no mundo ocidental é inegável a presença da
motivação religiosa, mesmo que esteja no que se chama de inconsciente coletivo.
Não seria, portanto, uma atitude consciente, intencional, proposital, clara. O
mundo ocidental, sob a influência da cultura cristã, viveria uma certa
ansiedade quanto ao fim de todas as coisas, ao juízo final e à uma condenação
eterna. Se o ano acabou e nada aconteceu, então esta seria mais uma razão para
pessoas celebrarem, ainda que inconscientemente, mesmo sem estar comprometidas
com a fé cristã.
3. Previsão apostólica
Pensando
no final de tudo e na atitude que pessoas teriam por não verem o cumprimento das
profecias escatológicas, na medida em que o tempo transcorre, o apóstolo Pedro
também fez essa associação. Ele imaginou pessoas no futuro perguntando exatamente
isto em seus comentários: “Sabendo
primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as
suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?
Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o
princípio da criação” (II Pedro 3.3,4). Além de escarnecer sobre o não
cumprimento da data do fim de todas as coisas e da volta de Jesus Cristo,
igualmente haveria uma celebração no final de cada ano por esse não cumprimento
da data. Inconscientemente, pessoas estariam felizes e poderiam fazer planos
para o novo ano que se inicia, com a mesma esperança de continuar com seu
estilo de vida.
Conclusão
Reconheço que esta percepção é intuitiva e hipotética, carecendo de confirmação através de pesquisas e entrevistas, para verificar tal associação com a celebração da chegada de cada novo ano, inclusive se estaria mesmo presente no inconsciente coletivo. Todavia, é inegável o exagero das celebrações, inclusive porque se trata, realisticamente, apenas da passagem cronológica de um ano para outro, encerrando ciclos de 12 meses, mesmo espiritualizando o fato com a atitude de “terminar e começar um ano com Deus”, pois Jesus Cristo já prometeu estar conosco todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos até que chegue o fim.
/////////////////////////////////////
ÚLTIMO LIVRO PUBLICADO
Acessar link abaixo:
https://agbook.com.br/livro/transformacao-historica-da-igreja-crista
VÁRIOS LIVROS PUBLICADOS:







