"PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS"
(Mateus 5.16)

segunda-feira

 


A EXPERIÊNCIA DA PERCEPÇÃO ESPIRITUAL

 Introdução

1. A maioria das pessoas estaria familiarizada com a experiência da percepção em sua concepção natural, isto é, a capacidade de captar, processar e entender as informações de nossos sentidos físicos: visão, olfato, paladar, audição e tato. É a atividade cognitiva de identificar, organizar e interpretar a informação sensorial oriunda do ambiente que nos cerca, principalmente os objetos, os acontecimentos, os relacionamentos e de si mesmo. Três teorias psicológicas procuram explicar a percepção: fisiológica (saliente os processos orgânicos do corpo), gestaltista (enfatiza os processos cognitivos-afetivos em equilíbrio) e behaviorista (destaca os aspectos dos estímulos e reações como determinantes)[1].

2. Além da experiência percebida pelos sentidos do corpo, algumas pessoas conhecidas como sensitivas reivindicam viver uma experiência conhecida como extrassensorial. Esta não seria considerada normal e nem reconhecida pela ciência, razão pela quais muitas vezes se torna objeto de questionamentos. Seriam a telepatia, clarividência, retrocognição, psicometria e premonição. Quem diz ter essas experiências reivindica possuir o que se tornou conhecido como sexto sentido. Sobre a percepção extrassensorial (PES), o Dr. D. O. Hebb, professor de psicologia da Universidade de McGill, diz: “Eu, pessoalmente, não aceito a PES nem por um momento, porque não tem lógica. Meu critério externo, tanto da física como da fisiologia, diz que a PES não é um fato[2].

3. Ultrapassando os limites da percepção sensorial e diferente da percepção extrassensorial, outras pessoas também reivindicam a experiência da percepção espiritual. Seria um tipo de experiência resultante do despertar da dimensão espiritual do ser humano. É através dessa experiência de percepção espiritual que teriam um relacionamento com Deus. Como consequência, ocorrem reações, crenças, envolvimento e práticas religiosas, que podem ser objetos de estudos.  As pessoas que vivem essa experiência são chamadas na Bíblia de espirituais. A percepção espiritual não ignora os aspectos orgânicos e psicológicos, mas afirma que essa percepção só existe a partir das atitudes de acreditar na existência de Deus e de receber Jesus Cristo na vida, atitudes essas que acionam o despertar do espírito, parte igualmente constituinte da natureza humana (Efésios 1.13; I Coríntios 2.14,15).

 1.   Exemplos de casos

As dificuldades em se experimentar a percepção espiritual foram demonstradas em vários episódios registrados nas páginas da Bíblia, mesmo seus protagonistas sendo pessoas religiosas. Num determinado momento do seu ministério, Jesus Cristo perguntou aos seus discípulos se eles ainda não haviam percebido o que havia ensinado (Marcos 4.35). A palavra original usada por Jesus é “εἴδω” (eídô), cuja tradução é perceber, discernir, descobrir. Essa expressão foi usada em vários textos com o mesmo significado. Em outro momento na história do profeta Eliseu, seu ajudante teve a dificuldade de perceber que eles estavam cercados por uma multidão de anjos celestiais para protegê-los. Como a experiência não poderia ser percebida pelo sentido físico da visão, Eliseu pediu a Deus que “abrisse os olhos” do seu ajudante (II Reis 6.15-17). Ainda em outro episódio ilustrativo, quando estava às portas da morte por apedrejamento, Lucas registrou as palavras de Estevão que dizia “ver os céus abertos e Jesus Cristo em pé, à direita de Deus” (Atos 7.55,56).

Na percepção espiritual, o processo pode começar de modo simples quando o entendimento é iluminado e pode prosseguir aumentando os níveis de percepção, ultrapassando os limites do sensorial, principalmente ao lidar com conceitos como invisibilidade, eternidade, transcendência. Aplicando, por exemplo, na simplicidade da leitura da Bíblia, a interpretação correta, profunda e aplicável dos seus textos carece de iluminação espiritual. Nesse sentido é que Jesus explicava às pessoas como poderiam compreender Escrituras (Lucas 24.17). Em seguida, o nível da percepção é aumentado, como aconteceu no episódio dos discípulos no caminho de Emaus, quando viam o homem que estava com eles, mas não o identificavam como Jesus Cristo. Para que isto acontecesse, foi preciso que seus olhos se abrissem e então reconhecessem Jesus (Lucas 24.31). Em nossos dias, a frase “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas”, repetida várias vezes, significa ter uma percepção além do sentido físico da audição. É um fenômeno inexplicável sob a perspectiva humana da percepção sensorial, quando ocorre uma pregação genuinamente bíblica e eficaz ou quando alguém está em verdadeira oração diante de Deus. Em nossos dias, a sensação espiritual de que estamos sendo assistidos por anjos que estão ao nosso redor é muito mais do que apenas repetir o versículo bíblico que diz: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Salmo 34.7). Em nossos dias, a atitude genuína de acreditar é resultado da capacidade de “ver o invisível” (Hebreus 11.1,27).

 2.   Confronto com a realidade

Uma vez que a percepção sensorial pode ser afetada por fatores sociais, culturais, linguísticos, médicos, psicológicos, comprometendo a realidade existente, da mesma forma também a percepção espiritual pode sofrer o mesmo efeito. Por esta razão, as pessoas que se dizem espirituais e que alegam viver determinados tipos de experiências religiosas, que saem fora do que é considerado normal, natural e real, precisam ser submetidas a estudos. Não se pode ignorar que alegadas experiências de percepção espiritual possam ser resultado de lavagem cerebral, influência do grupo, doenças psiquiátricas, estados alterados da consciência como transe, ações psicológicas como sugestão e hipnose, desorganização bioquímica por ingestão de drogas e carência de nutrientes. Em consequência desses fatores, pessoas que se dizem espirituais podem tão somente viver alucinações, delírios, fantasias, imaginações. Pior ainda, essas pessoas contribuem para uma distorção da realidade, assim como de se tornarem modelo de experiências místicas sem base doutrinária bíblica. Por isso, uma vez submetidas a estudos, que averiguem o que realmente está originando as experiências, estas também precisam ser confrontadas com os exemplos encontrados nas narrativas bíblicas para que tenham crédito.

 Conclusão

A percepção espiritual saudável está diretamente relacionada à maturidade cristã quanto à capacidade racional de analisar a si mesmo e ao que ocorra ao derredor, principalmente à luz dos ensinos bíblicos. Se muitos foram criticados nas páginas da Bíblia porque não tiverem espiritualidade para compreender os acontecimentos e outros foram censurados porque estavam se enganando e enganando outras pessoas com suas experiências enganosas ou demoníacas, em nossos dias é necessário cada vez mais desenvolver a sensibilidade espiritual e usar de prudência na autoanálise e análise do que outras pessoas alegam experimentar. A atitude de meditar nas páginas bíblicas, que descrevem as experiências e ensinam as doutrinas, assim como uma vida de oração em sincero relacionamento com o Pai Celestial, constituem-se nos melhores referenciais para lidar com esse assunto.

Afinal de contas, além de racionalidade e do sentimento, é principalmente a percepção espiritual correta que irá determinar tomada de decisões, rumo de acontecimentos, escolha de religião, interpretação dos fatos e acontecimentos, tipos de relacionamentos, uso do tempo e recursos financeiros, opções profissionais, adoção de valores, princípios e normas. 

referência e Bibliografia

[1] PENNA, Antônio Gomes. Percepção e Realidade. Rio de Janeiro, Imago Editora, 1993.[2] https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1962801

JORGE, Ana Maria Guimarães. Introdução à Percepção. São Paulo, Paulus Editora, 2011.

NEE, Watchman. O Homem Espiritual.

PENNA, Antônio Gomes. Percepção e Realidade. Rio de Janeiro, Imago Editora, 1993.

SCAZZERO, Peter. Espiritualidade Emocionalmente Saudável. Campinas, United Press, 2013.

SIMÕES, Edda A. Quirino. Psicologia da Percepção. São Paulo, E.P.U., 1985.

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FÉ SEM FRONTEIRAS

INTRODUÇÃO.

Muitas vezes, a palavra "evangelismo" nos remete a imagens de grandes cruzadas com famosos pregadores ou complexos discursos religiosos feitos por renomados teólogos. No entanto, o cerne da tarefa deixada por Jesus Cristo aos Seus apóstolos é o ato de testemunhar, o que é feito por uma testemunha. Ser uma testemunha não exige erudição verbal e um palco; exige uma pessoa que aponte para Jesus Cristo, como a Verdade, o Caminho e a Vida.

Nesta abordagem, exploraremos como a missão de compartilhar as Boas Notícias sobreviveu a séculos de barreiras — desde preconceitos antigos até o relativismo moderno. Você descobrirá que evangelizar de forma descontraída é, na verdade, permitir que sua fé transborde em conversas sinceras, no apoio a um amigo e na integridade do seu caráter – tomando um café, dando um sorriso e expondo a mensagem. Tudo a partir de uma experiência vivida por você mesmo, razão pela qual você se torna uma testemunha de algo que ocorreu em seu existir. Prepare-se para entender os motivos pelos quais  essa tarefa é, ao mesmo tempo, um desafio histórico e uma aventura pessoal para cada geração.

 1. O Muro do "Eu Sou Melhor": Vencendo o Preconceito Étnico.

A jornada da evangelização começou com um obstáculo religioso inesperado: o preconceito dos judeus para com as pessoas dos outros povos. Os primeiros discípulos judeus hesitaram em levar a mensagem aos gentios, acreditando que a salvação era um privilégio reservado apenas ao seu próprio povo. Nunca foram capazes de levar a experiência com Deus aos outros povos, mesmo que esse ensino tivesse sido ministrado desde Abraão. Ao prevalecer a atitude de não se misturarem, esqueceram as palavras ditas a Abrão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

O Obstáculo Histórico: O preconceito étnico tentou cercar o Evangelho dentro de fronteiras culturais e raciais. Para que a mensagem avançasse, foi necessário entender que Deus não faz acepção de pessoas. A igreja primitiva precisou aprender que o amor de Cristo é a força mais inclusiva que existe, capaz de derrubar qualquer barreira de "nós contra eles", a partir do exemplo de Jesus com várias pessoas que não faziam parte do povo judeu em seus dias.

O preconceito moderno pode ser mais sutil. Ele aparece quando julgamos que alguém "não tem o perfil" para a fé. Evangelizar sem fronteiras começa com a limpeza dos nossos próprios olhos, vendo em cada pessoa alguém por quem Cristo Se entregou. O não fazer acepção inclui não estabelecer fronteiras pela cor da pele, pela posição social, pelo status financeiro, pelo gênero, pela atividade profissional, pela formação cultural e assim por diante.

2. Fé Sob Fogo Cruzado: A Era da Perseguição, Prisão e Morte.

Assim que os cristãos venceram seus preconceitos e começaram a avançar, o mundo respondeu com resistência agressiva. O que antes era uma barreira mental tornou-se uma ameaça à vida. Cristãos que evangelizavam tornaram-se alvos de perseguição estatal e social, enfrentando prisões e até a morte. Ainda nos dias dos apóstolos e nos anos seguintes, o que os esperavam eram as fogueiras, os leões, as galeras, os gladiadores.

Em vez de recuarem, os crentes insistiram na evangelização. Eles descobriram que a verdade não pode ser encarcerada ou anulada pela morte; quanto mais tentavam silenciá-los, mais a mensagem ganhava força e credibilidade pelo sacrifício de quem a pregava. Os relatos históricos mostram que o número de conversões e batismos, assim como o número de igrejas cristãs se multiplicavam, superando as fronteiras geográficas. Os historiadores Robert Hastings Nichols e Pablo A. Deiros escreveram que entre o ano 100 e o reinado de Constantino, o progresso  foi tal que se tornou a religião dominante na Ásia Menor, chegando a Itália e Espanha. Nos três primeiros séculos, alcançou 50% da população do império.

3. A Desculpa da "Fé Automática": O Desafio da Predestinação

Com o tempo, o inimigo da missão mudou de estratégia. Se a força bruta não parou a igreja, o conforto intelectual tentou fazê-lo através de interpretações teológicas passivas. Deus já havia escolhido os que seriam salvos, razão pela qual não era necessário fazer evangelização pessoal para convidar pessoas a se arrependerem de seus pecados e a crerem em Jesus Cristo.

Surgiu a teologia da predestinação calvinista interpretada de forma extrema ao ensinar que não era preciso evangelizar, pois Deus já teria escolhido os salvos por Si mesmo. Vários textos da Bíblia passaram a ser usados com essa interpretação. Mesmo que para Calvino a predestinação não anulasse a necessidade de evangelizar, a distorção do seu ensino criou um "sofá espiritual", onde muitos se sentaram para esperar Deus agir sozinho. Os salvos iriam para o céu mesmo que não tomassem essa decisão, através da evangelização.  Contudo, os fiéis que mantiveram o fogo acesso compreenderam que Deus é soberano, mas Ele escolheu usar a instrumentalidade humana para realizar Sua obra. Os pecadores precisam ouvir a mensagem de Jesus Cristo para que possam se arrepender e exercer a fé.

4. O Labirinto do "Tanto Faz": Ecumenismo e Liberalismo Teológico

Quando os fiéis continuaram a evangelizar, apesar das desculpas teológicas, novos impedimentos surgiram e desta vez focados na diluição da verdade.

O ecumenismo propôs que as igrejas deveriam se unir, a fim de que houvesse um só povo cristão, sem nenhum tipo de divisão denominacional, pois essa teria sido a proposta de Jesus Cristo ao pedir a Deus que “todos fossem um com Ele”. Todos os cristãos deveriam estar sob a liderança do Papa e da Igreja Católica, apesar de suas heresias doutrinárias, da idolatria dos santos, de não terem a Bíblia como única regra de fé prática e de serem “cristãos nominais”. A mensagem era para que não evangelizar “cristãos nominais”, pois já estavam salvos pela Igreja Católica.

O liberalismo teológico infiltrou-se na igreja, questionando os fundamentos da fé e gerando um esfriamento na evangelização. O ensino do nascimento virginal de Jesus Cristo, de sua ressurreição física, dos seus milagres realizados seria interpretado simbolicamente, usando métodos científicos e históricos, com rejeição de tudo o que não fosse racional para o ser humano contemporâneo.

Respeitar a religiosidade do próximo não significa concordar que todos os caminhos são iguais. A verdadeira unidade se baseia em crer unicamente em Jesus Cristo, acreditando também em sua vida e obra, conforme se encontram nas páginas do Novo Testamento com todos os milagres ali registrados, que devem ser divulgados.

5. O Desafio de Hoje: Respeito não é Silêncio no Mundo Plural

Chegamos à atualidade, onde o desafio é a ideia de que todas as religiões são expressões equivalentes de Deus e devem ser restritas ao fórum íntimo.

Propõe-se que todas as religiões devem ser respeitadas em suas crenças como verdades paralelas, muitas vezes protegidas por leis que desestimulam o testemunho público. Nesse objetivo, a formação dos professores hodiernos nos Cursos de Ciências da Religião objetiva a pluralidade religiosa em sala de aula. As diversas manifestações (história, rituais, símbolos, cultura) devem ser estudadas pelas crianças nas escolas, a fim de que haja respeito e diálogo na diversidade de crenças. O slogan é promover a convivência religiosa numa sociedade plural, independentemente da existência de uma verdade  absoluta e do destino eterno das pessoas.

O respeito às leis e à liberdade religiosa alheia é um dever do crente, mas isso não anula o mandato divino de ser testemunha de Jesus Cristo.  O relativismo moderno tenta transformar o Evangelho em apenas mais uma "opção", mas a tarefa entregue por Cristo permanece absoluta. Ser uma testemunha descontraída no século XXI significa saber dialogar em um mundo plural, sem perder a identidade cristã, sem perder o interesse pela salvação eterna e sem deixar de cumprir a tarefa de evangelizar  pessoas. Você pode ser gentil e respeitoso, sem jamais abrir mão da exclusividade da mensagem de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

A história da evangelização é uma narrativa de fé que rompe as fronteiras.  Não faltaram — e não faltarão — obstáculos no caminho daqueles que decidem obedecer a Cristo. Do preconceito étnico ao relativismo teológico, da perseguição e morte ao pluralismo de crenças, em cada era o inimigo tentou colocar ponto final na missão de evangelizar.

No entanto, ao terminar a leitura deste texto, você pode ter um novo começo quanto à tarefa de ser uma testemunha de Jesus Cristo. Esta tarefa foi entregue a nós e deve ser cumprida por cada geração, incluindo a sua.

Vá em frente. Derrube os muros, enfrente os desafios com coragem, exerça uma fé sem fronteiras e compartilhe a esperança da vida com Deus no presente e na eternidade, através de Jesus Cristo.

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