MEDICINA
E RELIGIÃO
(MENSAGEM PROFERIDA PARA FORMANDOS EM MEDICINA DA MULTIVIX, VITÓRIA - 2014)
Introdução
1.
Nesta preciosa oportunidade, quando sou convidado a ministrar uma palavra aos
formandos do Curso de Medicina desta relevante Faculdade, diante de eminentes
mestres e ilustres formandos, faço uso de um texto bíblico em que encontro
parceria entre a medicina e a religião. O texto está em Colossenses 4.14:
“Saúda-vos Lucas, o médico amado”. A parceria está no fato de que
foi escrito por um apóstolo de Jesus Cristo se referindo a um médico de seus
dias.
2. A
leitura deste texto evidencia que esse líder religioso considerava relevante o
serviço que recebia da medicina e o interesse desse médico em dar assistência
ao referido líder religioso. Na verdade, a história mostra um relacionamento
com base na fé mútua que tinham em Jesus Cristo!
3. Em
nossos dias, todavia, há variadas atitudes por parte dos profissionais médicos
quanto à religiosidade. Existem alguns que declaram ter fé em Jesus
Cristo. Outros declaram ter variadas crenças. Um terceiro grupo se
identifica como ateísta. Isto significa que se a ciência médica não tem rosto
religioso e os médicos têm posicionamentos diversos.
Desenvolvimento
1.
Este fato pode ser constatado em depoimentos que às vezes são dados a propósito
da cura de pacientes. Um médico entrevistado sobre a cura de uma paciente,
portadora de câncer pulmonar e rins deficientes, respondeu: “Ela ficou na
UTI por três meses; fizemos hemodiálise. No seu sangue cresceu uma bactéria que
foi tratada. As estatísticas mostravam que a chance de ela morrer chegava a
quase 100%. Mas por obra de Deus, pela força dela querer vencer e pelo empenho
da equipe, ela conseguiu sair da UTI viva” (WyllyamReis. Reportagem no
jornal A Tribuna, 23.03.2014, pg. 2.).
Outro
médico, na mesma reportagem, “afirmou que o efeito placebo (pessoa toma
remédio sem eficácia e se diz curada) pode ocorrer em até 40% dos pacientes”
(Walter Fagundes. Reportagem no jornal A Tribuna, 23.03.2014, pg. 2).
2. Na análise
de curas que estariam associadas à religiosidade, alguns médicos procuram
explicar a mesma como resultado de sugestão. O psiquismo humano
comprovadamente é estimulado pela sugestão de outrem ou até mesmo
autossugestão. Esse inegável fenômeno tem sido comprovado em estudos sobre o
efeito placebo. Isto é, em pesquisas sobre eficácia de substâncias
medicamentosas produzidos em laboratório. Voluntários são separados em dois
grupos. Um deles toma comprimido de açúcar ou farina de trigo. O outro grupo
toma o comprimido com a substância. Após observação científica, percentuais
significativos de pessoas que disseram ter experimentado melhora foram
constatados nos dois grupos (Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, vol. 4,
nº 2, Rio de Janeiro,2008). Na
dificuldade de se explicar os mecanismos psíquicos que produzem esse resultado,
alguns médicos optam por entender desta maneira a cura. Não seria decorrente da
ação de Deus, mas resultado da sugestão humana.
3. Outros
médicos, comprometidos com sua religiosidade, interpretam esse fenômeno
vinculado ao exercício da fé. Neste caso, uma vez acreditando, o paciente terá recursos
espirituais para experimentar cura. Essa idéia está sendo cada vez mais aceita:
“Um estudo internacional muito importante (Walter Fagundes.
Reportagem no jornal A Tribuna, 23.03.2014, pg. 2. publicado no Journal
of Neuroscience, em 2001) realizou ressonância magnética no cérebro de
religiosos no exato momento da oração. Ficou atestado que a leitura do salmo
ativa áreas cerebrais relacionadas ao sistema imunológico, o que protege corpo
humano de várias doenças. O mesmo acontece quando em oração acreditam que Deus
poderá lhe dar cura” (Fernanda Aranda. Artigo “Uma dose de fé para
proteger o organismo”. Fonte:
http://delas.ig.com.br/saudedamulher/uma+dose+de+fe+para+proteger+a+saude/n1237568823320.html).
Em outras palavras, esta
interpretação quer dizer que além de existir uma fé psíquica, também existe uma
fé espiritual relacionada com o agir de Deus. Uma vez ativado pela fé, o
organismo passa a responde à influência dos recursos psíquicos e médicos
possibilitando a cura ou controle de sua enfermidade.
Conclusão
Seja
através de sugestão, seja através da fé espiritual, seja através das
substâncias químicas, o paciente religioso além de agradecer a atuação
médica vai também atribuir a Deus a origem de sua cura, o que deve
ser respeitado em termos de crença.
Por
isso, penso que o relacionamento entre médicos e líderes religiosos sempre
deveria ser de profunda estima, de valorização mútua e de fé em Jesus Cristo.
Tudo para o bem dos pacientes!
/////////////////////////////////////////////////IVRO PARA LER NA PANDEMIA



