II Samuel 4.4.
INFORTÚNIOS NA VIDA
Introdução
1. Para quem não sabe, infortúnios são fatos ou
acontecimentos infelizes que sucedem a alguém em algum momento de sua vida.
Popularmente também é conhecido como desgraça ou má sorte que ocorra e que traga
muito sofrimento e dor, geralmente surpreendendo a pessoa. Exemplos de
infortúnios são acidentes com veículos, perdas de recursos financeiros para
pessoas desonestas, êxodo de pessoas em países assolados pelas guerras deixando
tudo para trás, calamidades naturais, diagnósticos de doenças graves, morte de
familiares próximos deixando órfãos e pessoas viúvas, constatação de algum tipo
de deficiência.
2. O infortúnio que ocorreu na vida de Mefibosete
foi o acidente que teve ao cair do colo de sua ama e, como consequência da
queda, aos cinco anos de idade, tornou-se deficiente físico de seus dois pés.
Por mais que os familiares tivessem contratado uma ama para aumentar os
cuidados com ele e, por mais que fizesse parte de uma família de posição social
e financeira elevada, teve o infortúnio da queda e da deficiência que o
acompanhou pelo resto de sua vida.
Desenvolvimento
1. Se todas as pessoas e famílias estão sujeitas ao
infortúnio, mais cedo ou mais tarde, de um tipo ou de outro, crentes e não
crentes, ricos e pobres, cultos e simples, é preciso aprender a lidar com ele,
pois seus efeitos podem causar ainda mais dor e dano na personalidade das
pessoas. É preciso também ir ao encontro dessas pessoas, para ver o que pode
ser feito.
1.1. Às vezes, alguém aparece no objetivo de ajudar
essas pessoas e dizem palavras que não proporcionam a ajuda pretendida. Basta
lembrar, por exemplo, dos amigos de Jó, que saíram de seus lares, para irem ao
seu encontro, no objetivo de ajudá-lo em seu infortúnio e o deixaram ainda mais
abatido com o que disseram. O texto registra assim sua reação: “Então,
respondeu Jó e disse: Tenho ouvido muitas coisas
como estas; todos vós sois consoladores
molestos. Porventura, não terão fim estas palavras de vento?” (Jó
16.1-3).
1.2. Penso que não é salutar, em nossos dias,
alguém dizer que o infortúnio não ocorreu ao acaso, sendo, portanto, algo que
estaria previsto para acontecer. Também não é uma palavra positiva afirmar que
foi da vontade de Deus, razão por que o infortúnio deve ser aceito até mesmo
com resignação e gratidão. Ainda não será consolador dizer que os responsáveis
precisam ser achados e punidos exemplarmente. Pelo contrário, exatamente porque
as pessoas não estão preparadas para acontecimentos e fatos infelizes,
dramáticos e doloridos, sendo surpreendidas quando ocorrem, podendo gerar
decepção, frustração, revolta, hostilidade, negação do cuidado de Deus, as
palavras precisam ser escolhidas e abençoadoras, para que efetivamente ajudem
as pessoas a lidarem com seus infortúnios.
1.3. Nesse objetivo de saber o que dizer às pessoas
que estão passando por infortúnio, o profeta Isaías disse: “O Senhor Deus me
deu a língua dos instruídos para que eu saiba sustentar com uma palavra o que
está cansado; ele desperta-me todas as manhãs; desperta-me o ouvido para que eu
ouça” (Isaías 50.4). Aqueles eram dias de adversidade na vida do povo e a
ordem de Deus havia sido dada nessa direção: “Consolai, consolai o meu povo”
(Isaías 40.1).
1.4. Nesse objetivo, na mesma linha de conduta, o
apóstolo Paulo escreveu aos coríntios em sua carta: “Bendito seja o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a
consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também
possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com
que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo
são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de
Cristo” (II Coríntios 1:3-5). Também os crentes em Jesus Cristo precisam
ser consolados, quando lhes acontecem infortúnios, principalmente se foram
iludidos com um evangelho que não lhes falou da realidade do sofrimento como
parte da vida cristã.
2. Mais ainda: além de palavras que produzam
efeitos consoladores no coração das pessoas atingidas pelo infortúnio, também
faz parte das ações, ser instrumento de Deus na vida dessas pessoas, como Davi
foi na vida de Mefibosete. Depois de viver anos com seu sofrimento, Mefibosete
ouviu Davi lhe prometer um lugar em seu palácio e um lugar em sua mesa,
providenciando recursos financeiros que iriam suprir suas necessidades e
recompensar parte de suas perdas. O texto registra assim esse momento a ser
imitado, respeitadas as limitações e proporções: “E Mefibosete, filho de
Jônatas, o filho de Saul, veio a Davi, e se prostrou com o rosto por terra e
inclinou-se; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo. E
disse-lhe Davi: Não temas, porque decerto usarei contigo de benevolência por
amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e
tu sempre comerás pão à minha mesa” (II Samuel 9.6,7).
Conclusão
Sei que existem organizações humanitárias e grupos solidários cujos objetivos são providenciar ajuda às pessoas que passam por infortúnios. Sei também que a igreja de Jesus Cristo tem o dever de ser sensível a essas pessoas, indo ao encontro delas para pregação do evangelho e pratica de ações filantrópicas. Todavia, o que sei com mais convicção ainda é que cabe a cada um de nós ir ao encontro das pessoas com infortúnios, para ser bênção de Deus na vida delas, seja através de palavras, seja através de atitudes. Ir e fazer mais do que de recitar a oração de São Francisco de Assis e ir fazer mais do que cantar o hino “Barnabé”.
////////////////////////////////////////////////
VÁRIOS LIVROS PUBLICADOS:

